Pesquise cerca rde 50 títulos, autores, anos e editoresdas obras de Edson Nery da Fonseca aqui no OPEN LIBRARY.
"O mais polêmico [autor] da Biblioteconomia nacional." (CASTRO, 2000)
Pesquise cerca rde 50 títulos, autores, anos e editores

MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. Fontes da produção Intelectual em Biblioteconomia e documentação. In: MOTTA, Antonio; VERRI, Gilda Maria Whitaker (orgs.). Interpretação de Edson Nery da Fonseca. Recife: Bagaço, 2001. p. 116-151.Através das referências bibliográficas registradas em listas ou notas de rodapé, ou seja das citações, a autora analisará quais foram as principais influências sobre o pensamento de Edson Nery da Fonseca na construção de sua visão sobre a biblioteconomia e a documentação no Brasil.
Foram identificadas 1212 citações em 583 fontes. Dentre os 494 autores citados, destacamos apenas os cinco primeiros: José Ortega Y Gasset, 31 citações; em segundo Gilberto Freyre, 30 citações; em terceiro Louise-Noële Malclés, 23 citações; em seguida Rubens Borba de Moraes, 18 citações; Paul Otlet, 17 citações.
Já dentre as instituições as cinco mais citadas foram: Unesco, 46; Brasil: Leis, Decretos, etc, 22; American Library Association, 7; IBBD (Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação), 7; FID (Federação Internacional de Documentação), 5.
A autora ainda faz uma divisão das citações por: obras citadas pelo título, onde destaca-se a presença marcante das enciclopédias; tipo de documentos citados, sendo o livro o tipo mais utilizado (526), e entre outros a bibliografia, que segundo a autora refletem seu interesse profissional; data da publicação dos documentos citados, dentro de um período compreendido ente 1776 a 1992, o período de 1949 a 1979 foi o mais freqüente, sendo o ano de 1972 o ponto mais alto, já o pico existente em 1934 corresponde as citações de Paul Otlet; e por fim o local de publicação e idioma dos documentos citados, Brasil, França, Estados Unidos e Inglaterra, ente outros.
Por fim a autora conclui que ficou patente a influência exercida por Ortega y Gasset, talvez porque este também teve forte atuação sobre a biblioteconomia brasileira. Outro ponto foi a soma de citações a países europeus, confirmando as fontes européias que influenciaram tanto a biblioteconomia quanto o pensamento de Edson Nery da Fonseca.
FREYRE, Gilberto. Ressurreição de uma biblioteca. . In: MOTTA, Antonio; VERRI, Gilda Maria Whitaker (orgs.). Interpretação de Edson Nery da Fonseca. Recife: Bagaço, 2001. p. 38-39.O Sr. Edson Nery da Fonseca – o jovem técnico a quem se deve o quase milagre realizado na Faculdade de Direito do Recife... – é bem continuador do Sr. Borba de Moraes. À competência técnica junta o Sr. Nery da Fonseca – que é também um escritor novo, cheio de possibilidades – um entusiasmo de franciscano e paciência de beneditino. É completo. Cuida do geral e dos pormenores. Cuida dos livros sem esquecer-se de que os livros devem existir para os homens como os sábados da definição de Cristo.
FREYRE, Fernando de Mello. Um devoto dos livros. In: MOTTA, Antonio; VERRI, Gilda Maria Whitaker (orgs.). Interpretação de Edson Nery da Fonseca. Recife: Bagaço, 2001. p. 165-172.Edson Nery da Fonseca e Gilberto Freyre cultivaram uma amizade de mais de quarenta anos. Assim como Edson Nery da Fonseca, Gilberto Freyre era pernambucano, nascido no Recife em 1900, faleceu aos oitenta e sete anos. Os longos anos de estudo das obras de Freyre e a aproximação e convivência entre ambos renderam a Nery da Fonseca o título de Gilbertólogo, ou Gilbertófilo como ele prefere ser denominado. A amizade entre os dois também rendeu um compadrio, Edson Nery da Fonseca, o “tio Gigante”, foi o escolhido por Fernando, filho de Freyre, para ser seu padrinho de crisma.
Guardo em meus arquivos a mensagem que recebi a alguns anos atrás: ‘Um dia – faz muitos anos – certo menino convidado pelos Pais ao escolher seu Padrinho de Crisma, apontou, sem vacilar, o Tio Gigante. E na igrejinha de Boa Viagem, em outro dia também perdido no tempo, o afilhado e seu Padrinho renovaram juntos as promessas do Batismo. Como disse Joaquim Nabuco, o traço da vida é um desenho da infância que o adulto conserva pelo resto da vida. Meu caro Fernando, você é o desenho que eu conservarei por toda a vida. 8 de agosto de 1978. Edson Nery da Fonseca’.
FREYRE, Fernando de Mello. Um devoto dos livros. In: MOTTA, Antonio; VERRI, Gilda Maria Whitaker (orgs.). Interpretação de Edson Nery da Fonseca. Recife: Bagaço, 2001. p. 165-172Durante o Ciclo de Conferências sobre Casa-grande & senzala, em 1983, Edson Nery da Fonseca revela:
A primeira referência que ouvi a respeito de Casa-grande & senzala foi de que se tratava de um livro imoral. No curso pré-jurídico do Colégio Oswaldo Cruz, um certo professor Moacir de Albuquerque recomendara a leitura da obra e uma das alunas era minha irmã mais velha; ouvi-a contar em casa ter o pai de uma de suas colegas proibido a leitura prescrita pelo professor em nome da moral.
No ano de 2000, em comemoração ao centenário de nascimento de Gilberto Freyre, Edson Nery da Fonseca é designado pela Fundação Gilberto Freyre para auxiliar no projeto que pretendia filmar um documentário do Freyre, sob a direção de Nelson Pereira dos Santos. Entretanto, além de conselheiro também se tornou o narrador/ator do primeiro episódio de quatro que seriam filmados. Essa primeira parte abordava a vida e a importância de Casa-grande & senzala. A princípio o ator José Wilker havia sido designado para tal tarefa, mas impossibilitado de assumi-la Nelson Pereira dos Santos resolveu convidar Edson Nery da Fonseca, que não só aceitou como surpreendeu o diretor e sua equipe.
"É graças aos esforços de Edson Nery da Fonseca que Recife ganhou seu primeiro curso de Biblioteconomia. Em 1949 Edson Nery da Fonseca é contratado para organizar as bibliotecas da Universidade do Recife, especialmente a biblioteca da Faculdade de Direito. Com o apoio do então reitor Joaquim de Almeida Amazonas, Edson Nery da Fonseca planeja e organiza o primeiro curso de Biblioteconomia do Recife, em março de 1950.
A princípio não havia verba orçamentária destinada à criação do curso, por isso ENF começou um trabalho de convencimento de alguns professores para que os mesmos lecionassem gratuitamente. No currículo do curso havia a disciplina Introdução à Literatura e Myriam Gusmão de Martins lembra-se da dificuldade para convencer um professor não bibliotecário a ministrar tais aulas. Edson Nery da Fonseca, conhecedor dos hábitos da terra, saía no horário em que sabia o candidato estar em casa para a ceia. Metia-se ou peava-se em seu minúsculo carro, levava-me como acompanhante, e tentava convencer o candidato a colaborar. Assim, conheci Evaldo Coutinho, mas foi Costa Porto quem conseguiu se catequizar para, de graça,
ministrar aulas de Literatura aos alunos do curso de Biblioteconomia."
Foi membro fundador e primeiro presidente (1955-1960) da então Comissão de Documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), neste período auxiliou na elaboração das primeiras normas brasileiras de apresentação de artigos e periódicos, de apresentação de publicações periódicas, de referências bibliográficas, sinopses e resumos.
"Heraldo Pessoa Souto Maior, em suas lembranças sobre ENF destaca uma cena engraçada. ENF tinha um carro Renault, conhecido como “rabo quente” por possuir motor traseiro. Segundo Souto Maior esse era um carro pequeno, menor que um fusca, e ENF um homem de alta estatura. Em certa ocasião, como era de costume naquela época, de acordo com Souto Maior, os estudantes e intelectuais do Recife tinham o hábito de reunirem-se na Rua Nova, em frente à Igreja da Conceição dos Militares. Eis que estaciona defronte a igreja um pequeno “rabo quente” e uma cena cômica se configura, na medida em que o ocupante do carro, um homem alto, sai de um veículo minúsculo os risos entre os presentes são impossíveis de serem contidos. "
Esses artigos provavelmente são os mesmos que se encontram ao final do livro Introdução à Biblioteconomia, 2 edição."Segundo declaração do próprio Edson Nery da Fonseca seu interesse pela iblioteconomia surgiu a partir da leitura de uma crônica de Mario de Andrade e de um artigo de Carlos Drummond. 'Ambos chamaram minha atenção para a poesia da biblioteconomia e definiram o trabalho do bibliotecário como um trabalho amoroso. Posso dizer-lhe, sem nenhuma intenção de fazer frase, que no meio dessas estantes eu me sinto feliz'".
FERNANDES, Aníbal. In: MOTTA, Antonio; VERRI, Gilda Maria Whitaker (orgs.). Interpretação de Edson Nery da Fonseca. Recife: Bagaço, 2001. p. 25."O avô de Edson Nery da Fonseca tinha uma tipografia, a qual editou livros de diversos escritores pernambucanos, entre eles Alfredo de Carvalho e Pereira da Costa. Sua tipografia também editava a Revista do Instituto Arqueológico."
SIMÕES, Alessandra. Liturgia da memória. In: MOTTA, Antonio; VERRI, Gilda Maria Whitaker (orgs.). Interpretação de Edson Nery da Fonseca. Recife: Bagaço, 2001. p. 218-223.1) Montanha dos sete patamares, de Thomas Merton. É uma autobiografia do
poeta místico americano com quem Nery da Fonseca se encontrou num retiro
espiritual nos EUA;
2) Diário de um pároco de aldeia, de Georger Bernos;
3) Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenaar;
4) Os moedeiros falsos, André Gide;
5) Aventura e rotina, Gilberto Freyre.
“A mim, quando perguntam o que sou, profissionalmente, respondo sempre: sou bibliotecário, mas, por favor, não me venham com frases bilbliofílicas [...] A bibliofilia é um sentimento nobre. Mas, como dizia André Gide, é com os bons sentimentos que se faz a má literatura. E a literatura bibliofílica é, positivamente detestável.”Projeto de construção de Brasília p.25
“Vai ser um “show” de Biblioteca Nacional. Tudo vai bem. Mas, como boa repartição pública, ficará ela fechada a partir de 8 horas da noite e aos sábados, domingos, feriados, e dias de “ponto facultativo”. De modo que a população de Brasília, não tendo para onde ir, nessas ocasiões, continuará enchendo os bares, as boates, os bilhares e os “inferninhos” onde já não faltam os fumadores de maconha e aspiradores de cocaína.”Discurso de paraninfo, 1963 p.24
“Telefonei para a biblioteca do D.A.S.P., em Brasília, e perguntei se havia alguma edição da Política de Aristóteles. “Só o senhor dizendo o sobrenome do autor”, respondeu a bibliotecária, “porque no nosso catálogo os autores aparecem pelos sobrenomes”. Creio que basta. Os bovaristas, os ufanistas e os românticos continuam a dizer que tudo vai bem. Mas não é tanto assim, como acabamos de ver”.E a surpreendente paródia do manifesto poético de Manuel Bandeira P.32-34
“Quisera eu que o meu manifesto produzisse, pelo impacto, se não uma renovação da biblioteconomia brasileira – pois para tanto me altam o engenho e a arte de que falava o poeta – pelo menos um exame de consciência e um propósito no sentido dessa desejável e necessária renovação. [...]
Estamos fartos da biblioteca-repartição pública, “com livro de ponto, expediente, protocolo e manifestações de apreço ao senhor diretor”.
Estamos fartos da catalogação pára e vai averiguar no código da Biblioteca Vaticana se deve usar colchetes ou parênteses. [...]
Estamos fartos das mocinhas – de que fala Rubens Borba de Moraes em O problema das bibliotecas brasileiras – que querem ser bibliotecárias enquanto não casam e das pessoas que vão trabalhar em bibliotecas porque gostam de ler e querem à força viver no meio de livros. [...]
Os bibliotecários que se levantem! As mocinhas que vão esperar pelo casamento em
outros lugares! Limpem e iluminem as estantes. Soltem gatos para que todos os
ratos de biblioteca sejam devorados..."
FONSECA, Edson Nery da. Problemas brasileiros de documentação. Brasilia: Ibict, 1988. 338 p.
“Conhecido pela violência com que ataca os falsos valores da biblioteconomia brasileira; acusado de traidor da classe, por criticar a ignorância de muitos bibliotecários; apontado como derrotista por tentar impedir que novos serviços públicos sejam criados em vez de reformar e pôr em funcionamento os antigos...” (1963)